segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

 


INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DO RIO GRANDE DO SUL

Campus Vacaria

Licenciatura em Ciências Biológicas

Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência Pibid/Capes-IFRS

 

 

Nome do bolsista: Mariana Lisbôa de Oliveira

Tema da atividade: Questões sociocientíficas

Data de entrega: 07/02/2021

 

1.                  Comente a afirmação de Paulo Freire de que não existe neutralidade na educação.

A educação não pode ser neutra, caso contrário ela se equipara a omissão, diminuindo a responsabilidade social e ambiental, isso acaba por agravar os problemas da nossa sociedade, pois precisamos ter opinião e posicionamento sobre o que está sendo debatido. Educar é um ato político, assim como nós seres humanos somos seres políticos e responsáveis pela nossa atuação na sociedade. A educação sempre vai ser a favor de algo e contra algo, não existe a possibilidade de ela ser neutra.

 

2.                  Quais as principais características da CTSA?

Ela é a proposta de um modelo de educação voltado para a Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) que busca um ensino mais humanitário, crítico e interdisciplinar. Que trabalhe no sentido do desenvolvimento de atitudes e valores para que a ciência seja compreendida como atividade cultural, combatendo os mitos científicos e estimulando os alunos a reconhecerem a sua importância para que coloquem esses conhecimentos nas práticas do seu cotidiano.

 

3.                  O que são as QSC?

A QSC (Questões Sócio Científicas) considera os conteúdos em três dimensões: conceituais, procedimentais e atitudinais. A QSC propõe problemas complexos que precisam de embasamento científico, filosófico e históricos para a solução dessas problematizações numa abordagem multi ou interdisciplinar.

 A QSC proporciona a aprendizagem científica aliado ao desenvolvimento cognitivo e ético dos estudantes.

 

4.                  Como a CTSA e as QSC se articulam com a BNCC?

Elas superam a relação do estudante passivo e do professor transmissor de conhecimento, para uma relação onde o estudante constrói ativamente a aprendizagem utilizando-se da resolução de problemas através de técnicas, teorias e o professor passa a ser um mediador crítico que orienta essa busca para a resolução do problema fornecendo apoio emocional e teórico. Isso vai ao encontro do que preconiza a BNCC, que busca desmistificar o professor tradicional e traz a proposta de este ser um mediador de aprendizagens, fornecendo o apoio necessário para que os alunos sejam mais humanos, críticos e autônomos de sua própria aprendizagem, fazendo com que ela seja efetiva e prazerosa.

 

5.                  Quais as características de uma proposta de ensino baseada em QSC?

Uma proposta baseada em QSC estimula discussões interdisciplinares envolvendo valores morais, interesses e opiniões, possibilitam a tomada de decisão e a reflexão crítica sobre as relações entre a ciência, a tecnologia, a sociedade e o meio ambiente. Ela também busca desenvolver habilidades argumentativas, a capacidade de raciocínio moral para avaliar, julgar e se posicionar em determinada situação, além do senso de responsabilidade sobre o desenvolvimento científico e tecnológico e seus impactos sociais permitindo ações sociopolíticas que conduzam a transformação de sua identidade enquanto pessoa.

 

6.                  Como as QSC devem ser elaboradas?

As aprendizagens elaboradas a partir das QSC devem levar em consideração os conhecimentos prévios, valores socioculturais e científicos, buscando a formação de um cidadão autônomo e participativo, onde o aluno possa construir o conhecimento de forma autônoma mobilizando dados, teorias, técnicas e valores para a resolução de um problema real que ele tenha interesse.

 

7.                  Qual o papel do professor na utilização das QSC em sala de aula?

O professor tem um papel de responsabilidade em trabalhar a dimensão conceitual, a atitudinal e os valores que favorecem a construção do conhecimento de forma autônoma e instigando a participação social dos estudantes. O professor é um mediador na construção dos conhecimentos científicos e tecnológicos e deve buscar a superação do ensino através de aprendizagens descontextualizadas.

 

8.                  Quais as oportunidades apresentadas pelo texto para a utilização do tema “agrotóxicos” e do tema “polinização” em uma atividade de QSC: o que pode ser trabalhado, e de que forma? Escreva no mínimo cinco exemplos dados no texto, para cada um dos temas.

 

Agrotóxicos:

Um dos exemplos citados é que o tema sobre agrotóxicos foi utilizado para o ensino sobre o corpo humano através de uma abordagem crítica em seus aspectos socioambientais.

Outro exemplo é ser trabalhado no ensino de química utilizando uma horta orgânica como forma de incentivar os estudantes a buscar informações sobre o tema agrotóxicos e a agricultura orgânica, além da conscientização sobre benefícios do consumo orgânico e os malefícios dos agrotóxicos.

Pode-se também utilizar de história em quadrinhos sobre a história da agricultura, o surgimento da agroecologia e discutir sobre o uso intensivo dos agrotóxicos e as vantagens de não o utilizar, levando-os a pensarem sobre os aspectos políticos, econômicos, ideológicos e de saúde causado pelo seu uso.

Outro exemplo interessante é a saída de campo com agricultores locais para que conheçam a prática de alternativas de produção saudável dos alimentos, pare que percebam que isso pode acontecer e as pragas podem ser combatidas de outras maneiras.

Para finalizar, um exemplo pode ser a leitura de rótulos de agrotóxicos, onde eles serão analisados utilizando critérios como: níveis de toxicidade do agrotóxico, classificação toxicológica, EPI necessários para a aplicação, efeitos agudos e crônicos e as empresas que produzem estes agrotóxicos, intervalo de segurança para reentrada nas culturas, entre outros critérios possíveis e compará-los com o que preconiza a Agência Nacional de Vigilância (Anvisa).

 

Polinizadores:

Um exemplo de atividade é através de um estudo de caso e diversificadas perguntas norteadoras para serem discutidas e que podem direcionar os alunos para a resolução do caso estudado.

Outro exemplo é a elaboração de mapas conceituais para a organização dos conteúdos aprendidos pelos estudantes durante a sequência didática, ele permite conectar conhecimentos prévios com conhecimentos novos adquiridos e comparar diferentes modo de organização de conhecimentos sobre o mesmo tema ou questão.

Outro exemplo é a implementação de atividades e discussões, envolvendo quatro estágios de letramento científico, como pode ser observado a seguir:

 - Tomar decisão e agir: por exemplo, na organização de abaixo-assinados ou cartas públicas destinadas ao executivo, legislativo e/ou judiciário; na organização de palestras e produção de vídeos para divulgação em comunidades afetadas pelos problemas em pauta; em projetos de extensão universitária; na realização de campanhas virtuais de ativismo socioambiental.

Como último exemplo pode ser utilizado a organização e explicitação de relações entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, onde os estudantes poderão fazer discussões sobre esses elementos e suas relações desenvolvendo habilidades, conhecimentos, valores e atitudes relacionados com os conteúdos selecionado pelo professor.

 

 

9.      Explique com suas palavras o modelo das tipologias do conteúdo de Zabala (1998).

Para Zabala, a aprendizagem deve ser de nível integral, não somente de aprendizagens de conceitos e teorias, mas sim tudo daquilo que desenvolva capacidades em seus diversos âmbitos deve ser considerado como aprendizagem.

Como orientação a pratica educativa, Zabala organiza a tipologia de conteúdos em três dimensões:

Conceitual- visa o que o aluno deve saber sobre determinado assunto discernindo o real do abstrato. São as bases do aprender a conhecer.

Procedimental: colocar em prática os conhecimentos adquiridos a partir de estratégias, técnicas, métodos, etc.

Atitudinais: aprendizado de normas, valores e atitudes que irão influenciar na convivência em sociedade.

 

10.  Caracterize detalhadamente a dimensão social apontada nas duas propostas de QSC estudadas, e como elas se relacionam com o estudo de ciências.

No caso das abelhas, o que se percebe é que a causa desse déficit é por conta da perda ou fragmentação do habitat e uma das causas é a degradação ambiental e o uso de agrotóxicos pelo crescimento da agricultura, o que pode infectar suas colônias através de agentes patogênicos. A redução de polinizadores acaba por gerar um déficit nutricional já que a quantidade e qualidade dos alimentos está intimamente ligado a isso, gerando também a falta de rendimento e a alta do preço do alimento. A polinização é essencial para produção de frutos e sementes e esses por sua vez são essenciais para a nutrição dos seres humanos e para manter a variabilidade genética das plantas, podendo ser extintas com maior probabilidade prejudicando muitos animais que dependem delas e levando a um enorme desequilíbrio do ecossistema. Aliados a isso temos também as mudanças climáticas que aumentam a vulnerabilidade das abelhas e podem gerar uma crise na biodiversidade.

Com todas essas considerações sobre a dimensão social dessa problemática, os professores de ciências têm um papel muito importante ao abordar esse tema social, devendo ele fazer mediações para trabalhar esse assunto em suas aulas. Com o uso das QSC a possibilidade de abrangência sobre diversos ângulos da problemática é bastante vasto, o que possibilita o desenvolvimento do educando em seus mais diferentes aspectos, possibilitando a ele contribuir para a sociedade com suas aprendizagens e a sua formação científica e ética.

O uso de agrotóxicos também tem o reflexo de sérios problemas a indivíduos, sociedade e ambiente como a ocorrência de doenças relacionas ao seu uso, ocasionando um problema de saúde pública.

O meio ambiente também é seriamente prejudicado como nos rios, ar, água e solos, causando impactos ambientais que influenciam a manutenção dos ecossistemas.

O ensino de ciências permite que seja trabalhado esse tema com diversos enfoques como relacionados a política, sociedade, à economia, tecnologia, ética, moral, etc. Isso favorece o trabalho interdisciplinar e o desenvolvimento de um indivíduo mais humano e com espírito crítico e uma formação científica não somente dos alunos, mas dos professores também.

 

11.  Caracterize a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e a técnica dos “sete passos da ABP”.

A ABP visa a autonomia do estudante na análise e resolução de casos de problemas reais, utilizando de diversos conhecimentos e abordagens conduzindo o estudante a pesquisar integrando teoria e prática. Assim os alunos assumem um grande papel de responsabilidade em sua aprendizagem e desenvolvem habilidades e valores para o trabalho em equipe, o uso da criatividade, o pensamento crítico e a argumentação.

Os professores e tutores atuam como mediadores, instigando-os com questões que os conduzem na busca pelo conhecimento e solução do problema.

Uma das técnicas utilizadas é o chamado “sete passos” que se constitui em uma rotina organizada com ações e reuniões de trabalho em equipe, desenvolvendo a autoaprendizagem e a aprendizagem coletiva

A rotina deve ser explicada para os estudantes logo no início e posteriormente em cada reunião de equipe e também na resolução do caso.

Os sete passos são:

1º) Esclarecer o problema e os termos e conceitos presentes em sua formulação;

2º) Definir o problema;

3º) Chuva de ideias (brainstorming);

4º) Detalhar explicações, sistematizando e estruturando resultados da chuva de ideias;

5º) Propor objetivos de aprendizagem autodirigida;

6º) Busca de informações e estudo individual;

7º ) Avaliação.

Assim a aula fica organizada, com um bom planejamento e melhor acompanhamento das ações por parte dos professores. Nesse processo todos são avaliados, inclusive professores e tutores pelos participantes.

 

12.  Qual sua opinião sobre a QSC apresentada nos artigos, e como você utilizaria esta ferramenta em seu trabalho como professor. Quais seriam os principais desafios?

O uso das QSC nos possibilita um trabalho sobre a ciência e suas aplicações na sociedade, desenvolvendo habilidades básicas sobre o pensamento crítico, valores, ética, concepções políticas, econômicas, científicas e sociais, habilidades estas que são de grande relevância no desenvolvimento do ensino-aprendizagem. As QSC tornam-se decisiva na capacitação dos estudantes para um envolvimento ativo em processos decisórios relacionados a propostas tecnológicas e científicas que estão inseridas na sociedade da qual fazemos parte.

Essa ferramenta abre um leque de possibilidades para serem trabalhados, mas faz-se necessário conhecer a ciência como produto de culturas e pensá-los em situações do mundo real para que seja de fato uma prática efetiva na construção de aprendizagens.

Acredito que aplicar essa metodologia na proposta pedagógica é um desafio encontrado na resistência por parte de muitos professores, pois a maioria tem uma formação dentro de uma lógica organizacional de disciplinas compartimentadas e não em uma prática baseada na interdisciplinaridade, a qual caracteriza as QSC, o que poderia provocar dificuldades na sua aplicação.

Penso que se torna imprescindível formações e apoio aos professores juntamente com um trabalho em equipe para que esse desafio venha a ser superado.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

 

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DO RIO GRANDE DO SUL

Campus Vacaria

Licenciatura em Ciências Biológicas

Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência Pibid/Capes-IFRS

 

 

Nome do bolsista: Mariana Lisbôa de Oliveira

Tema da atividade: Resenha crítica sobre a BNCC com base nos textos lidos

Data de entrega: 23/01/2021

 

Com a leitura sobre os textos selecionados, é possível perceber que os estudos voltados para a elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) acontecem desde 2012 e somente depois de 4 versões é aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e então apresentada como documento normativo no ano de 2017. Com a aprovação da BNCC, as escolas tiveram um prazo de 2 anos para se adequarem a nova base e incorporá-la o seu projeto político pedagógico.

Ainda que a BNCC tenha passado por 4 versões, é perceptível a pouca importância dada aos conhecimentos das Ciências da Natureza. Desde suas primeiras versões, a BNCC foi muito criticada por seu currículo engessado, a dificuldade de contextualização do conteúdo e a falta de clareza sobre os objetivos a serem alcançados.

Já na 3ª e 4ª versão, o Brasil passa por um Impeachment presidencial e sofre as mudanças de secretariado. Com isso a BNCC sofre uma série de modificações em sua estrutura.

Conforme Andrade e Piccinini (2018) em seu texto “O ensino de Ciências da Natureza nas versões da Base Nacional Comum Curricular, mudanças, disputas e ofensiva liberal-consevadora”, essas mudanças acabam por excluir e adaptar muitos objetivos propostos na 2ª versão deixando falhas e desconexões quanto a aprendizagem das Ciências da Natureza e vai ao encontro de aprendizagens mais conservadoras e com uma visão mais empresarial voltada para as necessidades das empresas. Isso acaba por não contemplar uma educação científica de qualidade indo contra ao que foi sugerido como mudança pela sociedade civil e inclusive a Organização das Nações Unidas (ONU) quando pediu esforços para o combate à discriminação nas escolas.

Por fim, a 4ª versão aprovada, traz o ensino de ciências em três unidades temáticas (Matéria e energia; Terra e universo; Vida e evolução) estruturadas em um conjunto de habilidades que vão progredindo ano a ano e aumentando sua complexidade.

Em análise ao texto “A BNCC e o Ensino de Ciências: A Importância das Práticas Investigativas nos Anos Iniciais”, é possível ter uma outra visão sobre a BNCC. Ele traz a base como uma aliada para que se desenvolva no aluno um letramento científico, sendo o professor um mediador que irá planejar práticas investigativas fazendo com que os alunos levantem hipóteses, analisem resultados e interajam diante deles, que preze por um ensino voltado para o diálogo, onde os alunos possam expor suas concepções, rompendo o ensino de ciências por transmissão-recepção. Isso possibilita aos alunos testarem suas hipóteses e sistematizem suas ideias. (ARAÃJO; AZEVEDO; BRITO, 2018)

Portanto é possível perceber que por um lado a BNCC traz um conceito conservador que vai ao desencontro de uma educação democrática influenciada pelo cenário político, mas que ao mesmo tempo se apresenta em busca de obter conhecimentos e aprendizagens de uma maneira mais qualitativa, fugindo da “aprendizagem” por repetição e “decorebas”. Claro que é visível a pouca importância dada aos temas sobre as Ciências da Natureza, mas a forma de conduzir a aprendizagem pode ser mais efetiva se tiver um bom estudo sobre a base e uma formação de qualidade e de comprometimento por parte dos professores.

O nosso papel enquanto docentes, é criar possibilidades para que os objetivos propostos sejam alcançados e ter em mente que estes funcionam como o conhecimento mínimo que os alunos devem alcançar e não como um limite de suas aprendizagens.

 

Referências

ANDRADE, M.C.P.; PICCININI, C.L. O Ensino de Ciências da Natureza nas Versões da Base Nacional Comum Curricular, Mudanças, Disputas e Ofensiva Liberal-Conservadora. Revista de Ensino de Biologia da SBEnBio, Vol. 11, n. 2, p. 34-50, 2018

 

ARAÃJO, B.F.; AZEVEDO, L.B.S.; BRITO, L.O. A BNCC e o Ensino de Ciências: A Importância das Práticas Investigativas nos Anos Iniciais. XIII Colóquio Internacional “Educação e Contemporaneidade”, Vol. 13. Aracajú: EDUCON, 2019.

 

REVISTA NOVA ESCOLA. O Que Muda no Ensino de Ciências com a BNCC?. 2017.  Disponível em: < https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/61/o-que-preve-a-bncc-para-o-ensino-de-ciencias>. Acesso em 18 Jan. 2021.